sábado, 2 de março de 2013

Eu quero muito



Eu quero diversão. Eu quero disponibilidade. Quero conversas intermináveis. Quero bom gosto e bom trato. Quero sorrisos, elogios. Quero companhias indispensáveis. Quero honestidade. Quero coragem. Quero lealdade.

Quero muito.

Quero bons amigos e cerveja gelada. Quero dançar até os pés doerem. Quero parceria. Quero boa comida e um ombro confortável. Quero barba e cheiro bom.  Quero dar risada. Quero deixar as coisas acontecerem. Quero ver o que vem pela frente.

Quero tudo e mais um pouco.

Quero inverno com dias de sol. Quero sapatilha e samba. Quero guitarras e rock’n roll. Quero flertes. Quero sentir-me desejada. Quero fazer o meu melhor, sempre. Quero passar tardes jogada no sofá. Quero bons filmes. Quero guilty pleasures. Quero família. Quero mesa farta e histórias a serem compartilhadas. Quero beijos envolventes. Quero abraços demorados. 

Quero mais tudo e menos pouco.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Ah Rio de Janeiro!

Maio/12

Ah Rio de Janeiro!

Uma semana em suas terras e já rogo a Deus que lhe conserve assim. Como Vinícius a descrevera. 

Não moraria em suas ruas, pois prefiro conservá-la em minhas lembranças como uma cidade que beira a perfeição. Não gostaria de viver os seus problemas de cidade grande. E então possivelmente deixar de amá-la. Deixo isso para a minha fria Curitiba que amo de qualquer maneira.

Gosto desse Rio que mistura arquitetura colonial com prédios ultra modernos.
 
Gosto desse rio democrático de praia e biquíni onde todos são iguais. 

Gosto dos biscoitos Globo! “Salgado, por favor!”

Choro pela beleza irretocável de seus parques.

Gosto desse Rio de vista bonita por todos os cantos. 

Gosto mais ainda da lua que nasce do mar.

Morro por seus sambas e seus poetas.

Gosto dessa mistura de culturas e do sorriso do seu povo.

Ah Deus! Abençoa todo esse Rio de Janeiro!

Uma sala vazia


Recebi um pacote pelo correio. Sem remetente nenhum. Um envelope em branco escrito apenas meu nome. Dentro do envelope estava uma caixinha preta de madeira com uma caveira desenhada da tampa. Uma caveira igual a essas que apareciam nos desenhos animados nas garrafas de veneno, só para mostrar o perigo daquilo. Estava com a madeira desgastada, como se tivesse sido abandonada há algum tempo e tinha um cheiro estranho de mar.

Enchi meu olho de lágrima e comecei a chorar feito uma criança quando abri. Era mesmo aquela caixinha que eu havia me desfeito... Que em um dia qualquer fui à praia e joguei no mar. Mandei pra bem longe a chave daquela sala vazia. 

Tranquei por receio de reviver o que existia ali dentro. Tanto sentimento. Um tanto alegria e um outro tanto de dor. Textos escritos nas paredes, trechos de músicas favoritas rabiscadas no teto e pinturas tristes no chão...

Então um medo enorme preencheu cada pedaço do meu corpo. Medo de abrir aquela sala e notar que de repente tudo ainda estaria ali. Eu tinha certeza que tudo haveria desbotado, mas... E se estivesse ainda tudo confuso e forte ali dentro?

Sentei no chão com a caixa na mão. Deve ter passado uma meia hora, mas juro pareceu uma eternidade. Respirei fundo e me enchi de coragem. Com pernas trêmulas girei a chave. Entrei na sala vazia quase que de olhos fechados, sem querer ver o que me esperava ali. 

Abri os olhos e chorei de volta, mas dessa vez foi de alegria. Consegui respirar direito pela primeira desde que recebi o envelope. A sala parecia como nova (exceto pela poeira). Teto e paredes brancas. E o chão sem nenhuma pintura. Tudo ali estava claro e leve. Limpo. Nem um resquício de passado. Abri as janelas e deixei o sol entrar. 

Virei as costas com um sorriso no rosto e deixei a sala aberta. Porta e janelas escancaradas. Tudo limpo para que eu possa sim pintar o chão de volta caso eu queira. Escrever novos trechos prediletos de novas músicas prediletas e novos textos bonitos. E deixar entrar quem for bem vindo.

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Sobre a chuva



Enquanto eu espero, chove. Você sabe que eu espero faz tempo, mas hoje é a primeira vez que a chuva é minha única companhia.
A rua antes barulhenta, agora tem o som gostoso das rodas dos carros passeando na água. 
A chuva que antes me trazia angústia, agora me faz sentir em casa. A chuva que me deixava irritada, pois limitava os passeios pela rua, agora me faz querer ficar aqui enquanto você não chega.
Me jogo no colchão coberto com o lençol vermelho que faz as vezes de sofá e escrevo.
Escrevo sobre a chuva que limpa a cidade, que acalma os ânimos, que faz o ar mais puro, que deixa os sons da cidade mais bonitos, que amansa o calor insuportável e que me faz tranquila.
Leve o tempo que precisar para chegar, porque a chuva já não me assusta mais.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Sobre estranhezas

Para ler ouvindo The Doors!

Quero falar sobre a estranheza das coisas. 


Sobre o quão estranho é calor em Curitiba em julho. Sobre as pessoas estranhas no ônibus, cada um com sua vida e sobre a curiosidade que aqueles rostos me despertam. Sobre o quão estranho, que chega a ser bizarro, pessoas gostarem de Michel Teló e coisas desse tipo. Sobre a estranha mania de pessoas perguntarem tudo mesmo podendo resolver as coisas sozinhas. 


Mas sabe o que acho mais estranho? As pessoas que ultimamente só se relacionarem de maneira vazia. Não querem mais saber quem é quem, mas o quão dura é a bunda daquela garota ou o quão bonito é o abdômen do guri encostado no bar. As mulheres, sua produção e sua falta de amor próprio. Os homens, seu papinho barato e suas metralhadoras. O beijo é apenas pelo beijo, o sexo é apenas pelo sexo. 


Ou será que nessa história toda a estranha sou eu? Que gosto mesmo é de uma boa conversa, conteúdo, criatividade. Que estar com alguém significa a expectativa de um telefonema dali uns dias, de uma cerveja em um bar ou um cinema na semana seguinte. Um beijo trocado é a vontade de ver novamente e não um escape de carência ou necessidade de sentir-me desejada. Mas sim a busca por boa companhia. 


É complicado querer isso em um mundo que as pessoas vivem de maneira muito efêmera. Sentimentos são banais pra caramba e o medo de se relacionar faz todo mundo ser evasivo, raso. Querer aproveitar o que as pessoas podem nos oferecer, querer ver o que vem pela frente é perigoso de mais e então as pessoas não se arriscam. 


Mas me explica que graça tem viver assim? Sem riscos, sem nada! Mas é... Cada vez mais eu percebo que a estranha dessa história sou eu.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Liberdades

Sonhei que nossas liberdades se encontraram. 
Passamos a ser um excelente quarteto. Eu, você e nossas liberdades. 
Até que um dia achamos que tinha coisa de mais entre nós.
Então passamos a ser nós dois dividindo uma liberdade só.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

Um desses quadros


Há algum tempo escrevi sobre amores que me possibilitassem, ao término, apenas mudar um quadro na parede e não promover uma inteira mudança de casa. Não sofrer tudo aquilo, mas sim sofrer o que seria o suficiente. Ter sempre os pés no chão.

Posso dizer que o nosso amor foi um desses. Ou seria, se tivéssemos chego ao ponto do amor.

Mas ao invés de tirar o quadro da parede e tê-lo feito sumir dos meus olhos, apenas troquei de parede. Coloquei-o em um cômodo que visito pouco. E quando passo por ele lembro como ele ficava bem na parede antiga. Penso, na verdade, que ele ficaria melhor ainda na parede principal da sala ou na cabeceira da minha cama.

Porém pessoas têm dom de dizer coisas que nem sempre pensam ou medo de assumir o que realmente sentem. Estas acabam por fraquejar, trocar os pés pelas mãos, não sendo forte o suficiente para colocar um quadro em uma parede de destaque, seja qual parede for.

E sinto falta do que poderia ter sido se tivesse sido coerente e corajosa. Ter feito dessa história uma gravura que colocaria lindamente na parede de entrada da sala. Ficaria bom, certamente.

E essa esse papo de quadro não fizer sentido nenhum, lembre apenas da nossa última conversa de bar. Você disse que era burro de não estar comigo e hoje eu digo que fui burra de ter deixado você ir pra longe.

*A ilustração deste post é a obra Amendoeiro em Flor do Van Gogh