- É você...
- Sim... desculpa, vim buscar aquele quadro roxo que você pintou pra mim.
- Ah sim... Está ali em cima do sofá. Amanhã eu me mudo.
- Você não ia me falar nada?
- Não, melhor assim.
- Bem, se você acha.
- Ia mandar pelo correio algumas coisas que ficaram. Sem remetente.
- Você não vai me dizer pra onde vai?
- Não. Quer plástico bolha para embalar o quadro?
- Acho que é melhor.
- Tá ali no canto. Aproveita e pega a caixa que tem seu nome em cima. Pode levar.
- Você ia se desfazer de tudo isso?
- Não. Já falei que ia mandar o correio entregar.
- O quadro não...
- O quadro não.
- O que você ia fazer?
- Mandar pra galeria. Quem sabe alguém iria querer. Entenderia.
- O quadro é meu. Você não tem esse direito.
- Achei que você não o queria mais. Tem bolo de laranja na cozinha... caso você queira levar um pedaço.
- Obrigado.
- Escuta... vou apagar seu telefone e seu e-mail...
- Não adianta nada! Você não vai esquecer de qualquer forma.
- Vai saber! Quem sabe se eu mentalizar bem forte antes de dormir minha memória apague...
- Mas por quê?
- Porque sim...
- Não dá pra entender...
- Dá sim... eu só não quero mais te achar.
- Mas por quê?
- Porque você me acha, se você quiser...
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Texto escrito em novembro de 2009