Domingo é o dia em que a inércia parece ser mais forte que qualquer outra coisa. Dia em que o sofá e aquela coberta são tão atraentes quanto a bacia de pipoca, o filme no DVD ou o livro a ser terminado. Dia em que a preguiça impera e que nos faz lembrar que em seguida vem a segunda-feira. O fim de semana acaba e tudo começará outra vez quando abrirmos os olhos na manhã seguinte.
Domingo é o dia em que algumas famílias se reúnem e pedem uma pizza naquele restaurante do bairro. A avó e seu tricô no sofá, a criança correndo pela casa e os irmãos conversando sobre o fim de semana. Às vezes um vinho, outras uma cerveja.
Domingo também é o dia em que os solteiros acabam se obrigando a sair de casa. Pois é um daqueles dias que a solidão aparece e cutuca de leve. E, por essa história da solidão gostar de aparecer nos domingos, é que alguns solteiros se deixam levar por boas companhias. E na onda de se deixar levar pelas boas companhias é que os solteiros deixam de ser solteiros.
Domingo dá preguiça, domingo engorda, domingo anima, domingo aproxima e domingo apaixona.
Definitivamente, hoje eu gosto de domingos!
terça-feira, 27 de abril de 2010
quarta-feira, 14 de abril de 2010
Os malditos cortinhos feitos com papel
Sabe aquele corte de papel que a gente faz na pele, quando está distraído, que parece que nunca mais cura? Na hora a gente xinga e manda tudo a merda. Depois, quando você acha que o maldito do cortinho fechou, você vai lavar a louça ou passar um creme na mão e sente a porra do machucado incomodar de volta. É! Mas depois de uns dias (você nem nota) o chato do cortinho ardido fecha e a pele fica boa e pronta pra mais um daqueles machucadinhos malditos.
Pensando nisso que eu me dei conta do quão foda é esse tal de Tempo: ele fecha até a porra do cortinho ardido feito com papel. É clichê! Eu sei! E sei que isso tudo pode ser inclusive previsível, mas é muito engraçado como só de vez em quando nos damos conta de que tudo é cíclico. E esquecemos das coisas que o Tempo é capaz de fazer. Ele muda conceitos, transforma amizades, amorna amores, cura tristezas e ainda consegue colocar novidades bem na frente da cara da gente. Quem pisa na bola somos nós! O Tempo faz é muito bem o trabalho dele!
E o mais engraçado disso tudo é perceber o quanto é besta se preocupar de mais. E que, quando o assunto é dúvida, drama ou aquela necessidade de coisas novas na vida, o negócio é deixar na mão desse tal de Tempo. Ao que me parece, ele sempre acha uma solução!
Pensando nisso que eu me dei conta do quão foda é esse tal de Tempo: ele fecha até a porra do cortinho ardido feito com papel. É clichê! Eu sei! E sei que isso tudo pode ser inclusive previsível, mas é muito engraçado como só de vez em quando nos damos conta de que tudo é cíclico. E esquecemos das coisas que o Tempo é capaz de fazer. Ele muda conceitos, transforma amizades, amorna amores, cura tristezas e ainda consegue colocar novidades bem na frente da cara da gente. Quem pisa na bola somos nós! O Tempo faz é muito bem o trabalho dele!
E o mais engraçado disso tudo é perceber o quanto é besta se preocupar de mais. E que, quando o assunto é dúvida, drama ou aquela necessidade de coisas novas na vida, o negócio é deixar na mão desse tal de Tempo. Ao que me parece, ele sempre acha uma solução!
terça-feira, 2 de março de 2010
Talvez uma última carta
Já faz algum que você saiu. Mas a sua mala ficou ali no meio da sala. Não consegui tirá-la dali por enquanto. Até pensei em atear fogo ou tacar pela janela.
Nesse meio tempo, da sua partida e desta carta, nada em particular aconteceu. As coisas continuam basicamente as mesmas. Muito trabalho, algumas festas no meio do caminho. Filmes e cafés pela cidade e amigos fazem visitas de vez em quando. Como costumavam quando você ainda estava por aqui. Todos, muito educadamente, não perguntam o porquê da mala.
Mas preciso lhe contar que uma coisa mudou. Consegui abrir as janelas.
Primeiro foi a da sala. Pude sentir o sol esquentando o sofá no fim da tarde enquanto eu assistia um episódio de uma série qualquer. Me joguei naquele restinho de sol do dia e fechei os olhos só para sentir a luz aquecer cada milímetro do meu rosto.
Depois foi a janela do quarto. Fazia tempo que não via o céu ainda escuro de dia nascendo. Deixei aquela brisa fria de sete horas da manhã entrar e gelar todos os meus dedos do pé.
A última janela já não foi tão fácil. Levou um pouco mais de tempo. Aquela da área de serviço. A que você mais gostava. Aquela onde tivemos uma das nossas últimas conversas. Bebíamos cerveja e deixamos pela metade no chão da sala.
E acho o único motivo da sua mala ainda estar ali, são as pequenas lembranças. Como a da cerveja deixada no chão e dos comentários que ninguém nunca ouviu. Nossas lembranças. Minhas lembranças. E confesso que pensar nas bobagens que nunca aconteceram, hoje me faz bem.
E por isso eu quebro o meu jejum de letras.
Preciso lhe agradecer.
Não estranhe, pois ainda tenho todo o meu juízo no lugar certo.
Mas preciso sim lhe agradecer. Por me lembrar que eu ainda sei como gostar. Coisa que eu achei ter esquecido há algum tempo.
Obrigada.
E fique tranqüilo. Em breve eu mando a sua mala.
Marcadores:
cartas,
cerveja,
janelas,
lembranças
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Fuga
Ultimamente fujo de algumas coisas. E textos me lembram coisas de mais.
Portanto larguei minha caderneta em casa e não carrego mais nenhuma caneta na bolsa.
Passei a ter medo de me despir diante dos textos, como sempre fiz. A cada linha que costumava escrever eu expunha o mais profundo de mim. Deixava que todos lessem cada pequeno segredo, cada impressão sobre todas as coisas, cada pensamento tolo...
Li hoje os textos que nunca publiquei. E percebi que, mesmo achando que era impossível, me despi ainda mais. Como se eu andasse nua no meio do centro da cidade, para que todos vissem cada um dos meus defeitos. Mas um pouco de vergonha na cara eu mantive.
E escrever funciona como um espelho que mostra tudo o que não gostaríamos de ver, mas que é tudo tão real que incomoda. E quando eu acho que algumas coisas se foram, é como se o papel extraísse tudo o que eu não quero pensar. Mas que está ali, escondido, esperando para aparecer e derramar palavra atrás de palavra. E me fazer ter certeza de que eu não esqueci de nada. Nada.
Então eu fujo. Deixo a caneta em qualquer lugar que eu esqueça, largo o caderno em casa e desligo o computador.
Portanto larguei minha caderneta em casa e não carrego mais nenhuma caneta na bolsa.
Passei a ter medo de me despir diante dos textos, como sempre fiz. A cada linha que costumava escrever eu expunha o mais profundo de mim. Deixava que todos lessem cada pequeno segredo, cada impressão sobre todas as coisas, cada pensamento tolo...
Li hoje os textos que nunca publiquei. E percebi que, mesmo achando que era impossível, me despi ainda mais. Como se eu andasse nua no meio do centro da cidade, para que todos vissem cada um dos meus defeitos. Mas um pouco de vergonha na cara eu mantive.
E escrever funciona como um espelho que mostra tudo o que não gostaríamos de ver, mas que é tudo tão real que incomoda. E quando eu acho que algumas coisas se foram, é como se o papel extraísse tudo o que eu não quero pensar. Mas que está ali, escondido, esperando para aparecer e derramar palavra atrás de palavra. E me fazer ter certeza de que eu não esqueci de nada. Nada.
Então eu fujo. Deixo a caneta em qualquer lugar que eu esqueça, largo o caderno em casa e desligo o computador.
terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Músicas do meu 2009
Nunca tive o hábito de fazer listas. Mas, movida pelo espírito de fim de ano e pela música se fazer presente em tudo na minha vida, resolvi fazer o Top 10 das músicas que fizeram parte do meu 2009. Adianto que boa parte delas não foi lançada neste ano, mas explico que música para mim é algo atemporal. Não envelhece e não perde a graça, por mais que o tempo passe.
Vamos lá!
#10 Supermassive Black Hole – Muse
Conheci Muse em 2009 e, por causa dessa música, acabei ouvindo exaustivamente o álbum Black Holes And Revelations.
Conheci Muse em 2009 e, por causa dessa música, acabei ouvindo exaustivamente o álbum Black Holes And Revelations.
#9 You Can’t Always Get What You Want – Rolling Stones
You can’t always get what you want está no meu Top 10 simplesmente porque ela estará em qualquer lista que eu faça sobre música.
#8 High and Dry – versão do Jorge Drexler
Pelo violão do começo eu elegi essa música como meu despertador. Faz seis meses que eu a escuto todos os dias. E não enjôo.
#4 Grains de Beauté – Céu
Se eu tivesse a voz da Céu eu ficaria bem feliz! E, além disso, me identifico com essa música!
#2 Use Somebody – Kings Of Leon
Dizem por ai que Kings of Leon é a banda do ano! Quem sou eu para discordar!
Dizem por ai que Kings of Leon é a banda do ano! Quem sou eu para discordar!
#1 Esconderijo – Ana Cañas (versão ao vivo)
Eu morri quando ela cantou bem pertinho de mim Love Me Tender e em seguida Esconderijo. Por um momento que eu nem consigo explicar, de tão lindo, essa é minha música número 1 de 2009.
domingo, 29 de novembro de 2009
Uma despedida
Que bom que você chegou. Estava mesmo precisando falar com você. Fiz as suas malas... Eu explico. Senta, por favor. É sério... preciso te falar várias coisas. Fiz suas malas para tornar tudo mais fácil. Me deixa falar, depois, se você ainda quiser você toma seu café e assiste ao jornal.
Quero que você vá embora.
Bem... não exatamente isso, quero que você fique na verdade, mas quero que você fique se quiser ficar. Faz tempo que você está aqui, mas...
Eu vivo mil histórias de mentira, histórias de abraços apertados, de músicas e gostos compartilhados. Histórias que se eu tivesse doze anos eu escreveria em meu diário. Mas não. Meu amor por você é mais ou menos assim, infantil, pois nada nele é de verdade. Ele é inteiro imaginado, como os mundos que criamos quando somos crianças.
Não, por favor não me abrace agora. Senta e me deixa falar. Por favor. É importante.
Sabe, eu não quero viver em mundos de mentira. Quero que tudo seja verdade e, se você quiser também, eu te ajudo a desfazer as malas. Mas faz tempo que você está aqui e nada disso é vivido.
Escuta que agora vem o mais importante. Sinceramente, quero que você fique. Mas fique sabendo que não há obrigação que as coisas dêem certo. Como um texto ou um filme, o fim pode ser ruim. Mas nem por isso temos que odiar todo o resto. Sempre ficam trechos interessantes, bonitos a serem lembrados. Por isso, se quiser ficar fique. Pode dar errado no final. Mas de que importa? Pelo menos teremos vivido de verdade.
Não, ainda não é hora de você me abraçar. Não me abrace sem saber se vai ficar.
Sabe, parece que você tomou espaço de mais aqui dentro e me impede de ver o que existe nas janelas. Toda vez que você chega, as cortinas fecham e eu não consigo mais enxergar nada além de você. Por favor. Preciso enxergar as janelas, entende? Preciso deixar de lado minhas ilusões ridículas, entende?
A não ser que você queira tentar viver. Por isso fiz suas malas.
Me da licença. Se sair, deixe sua chave em cima da mesa. Vou fazer um café.
Quero que você vá embora.
Bem... não exatamente isso, quero que você fique na verdade, mas quero que você fique se quiser ficar. Faz tempo que você está aqui, mas...
Eu vivo mil histórias de mentira, histórias de abraços apertados, de músicas e gostos compartilhados. Histórias que se eu tivesse doze anos eu escreveria em meu diário. Mas não. Meu amor por você é mais ou menos assim, infantil, pois nada nele é de verdade. Ele é inteiro imaginado, como os mundos que criamos quando somos crianças.
Não, por favor não me abrace agora. Senta e me deixa falar. Por favor. É importante.
Sabe, eu não quero viver em mundos de mentira. Quero que tudo seja verdade e, se você quiser também, eu te ajudo a desfazer as malas. Mas faz tempo que você está aqui e nada disso é vivido.
Escuta que agora vem o mais importante. Sinceramente, quero que você fique. Mas fique sabendo que não há obrigação que as coisas dêem certo. Como um texto ou um filme, o fim pode ser ruim. Mas nem por isso temos que odiar todo o resto. Sempre ficam trechos interessantes, bonitos a serem lembrados. Por isso, se quiser ficar fique. Pode dar errado no final. Mas de que importa? Pelo menos teremos vivido de verdade.
Não, ainda não é hora de você me abraçar. Não me abrace sem saber se vai ficar.
Sabe, parece que você tomou espaço de mais aqui dentro e me impede de ver o que existe nas janelas. Toda vez que você chega, as cortinas fecham e eu não consigo mais enxergar nada além de você. Por favor. Preciso enxergar as janelas, entende? Preciso deixar de lado minhas ilusões ridículas, entende?
A não ser que você queira tentar viver. Por isso fiz suas malas.
Me da licença. Se sair, deixe sua chave em cima da mesa. Vou fazer um café.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Lamúrias
Essa é a semana do meu aniversário e a cada ano é mais estranho ter essa data por perto. Costumava, quando mais nova, planejar minha festinha com meses de antecedência. Uma vez até fiz uma super festa com o tema de Halloween no restaurante que era do meu pai e chamei todos os amigos da escola e do prédio. Lembro de ter passados por momentos ruins naquele ano e lembro de ter ficado muito feliz com a minha festa. Completava oito anos.
Não é que hoje eu goste menos de aniversário. Mas acho estanho. Não é mais tão simples. Eu me sinto mais velha que meus vinte e três anos. O mundo parece mais cansativo, eu pareço mais seletiva e exigente. Eu tinha mil planos quando eu tinha oito anos. E agora vejo o tempo que havia planejado se aproximando sem nem ao menos eu ter chegado perto de tudo o que eu queria há quinze anos atrás. Era mais simples, mais fácil e melhor quando uma festinha de aniversário era capaz de arrumar um ano ruim.
Não é que meu ano tenha sido ruim, pelo contrário. Mas hoje percebo que não é fácil crescer e que a ilusão da infância era capaz de curar todas as dores e todos os amores. A garotinha de óculos de lentes largas e pernas finas se enchia de alegria por ter seus amigos perto cantando parabéns. E esta alegria se estendia e se renovava em cada tarde de brincadeiras e risadas. A amarelinha desenhada no chão da escola, o elástico no pátio do prédio e o jogo “mãe da rua” enquanto esperava alguém me buscar na aula.
E talvez hoje eu esteja me lamuriando dos problemas de se fazer aniversário movida apenas por um fim de inferno astral. Ou talvez seja só um saudosismo de uma infância bem vivida. Mas a única certeza é que já foi mais fácil envelhecer. Era mais fácil crescer enquanto existia a ilusão de que viver não doía. Era mais fácil acreditar que o próximo ano seria diferente. Era mais fácil.
Assinar:
Postagens (Atom)