Adoro pessoas que tem hábito de fazer listas. Confesso que não é uma das minhas especialidades, mas acho muito legal! Então hoje parei para pensar que músicas mais marcaram meu 2011, repetindo o que fiz no fim de 2009! E, como na outra lista, nem todas são músicas novas... Mas fazer o que se gosto de algumas velharias! Vamos lá!
#10 - Machine Gun Man – Zack Wild
Esse último ano vi shows sensacionais. Entre eles está o show da banda do ex-guitarrista do Ozzy, o Zack Wild. A banda em questão é o Black Label Society. Ganhei o ingresso de um colega do trabalho e fiquei felizona! Acho a voz do cara lindíssima e ele destrói na guitarra. Mesmo! O som da banda é bem barulhento! Porém, posto como o décimo lugar de 2011 uma música antiga de um projeto solo do Zack. No vídeo ele está um lindinho, mas no show ele mais parecia um viking enorme.
#09 - You Can’t Always Get What You Want – Rolling Stones
Em 2009 eu disse: “’You can’t always get what you want’ está no meu Top 10 simplesmente porque ela estará em qualquer lista que eu faça sobre música”.
Então está ai!
#08 - The Kind You Can’t Afford – Madeleine Peyroux
Descobri essa cantora por uma amiga no finzinho de 2010, se não me engano. Nesse ano comprei o CD “Standing on The Rooftop”. É todo lindo! Conta com uma versão de “Martha, My Dear” dos Beatles e outra de “Love in Vain” dos Stones. Super recomendo! Porém, a música que mais gosto é essa ai: “The Kind you Can’t Afford”. A letra é simplesmente sensacional.
#07 - Rumor Has It – Adele
Não vou deixar a queridinha de 2011 fora do meu top 10. Conheci o som da moça esse ano pela famosa “Rolling In The Deep”. Baixei o CD e me apaixonei pela “Rumor Has It”. É batida é tão bacana que me faz ter vontade de sair dançando na rua. E convenhamos, que voz!
#06 - Partido Alto – Versão Trio Quintina
Tá ai uma banda que eu ouvi durante 2011. Que o digam minhas parcerias de Empório São Francisco. Para quem não conhece o trio curitibano, eu recomendo. Se você gosta de música brasileira, instrumentos de metais e guitarra, você também fará do Empório sua parada obrigatória aos domingos. Essa música que coloco como uma das minhas favoritas de 2011 é uma que eles tocam já faz anos, mas nunca perde a graça para mim. Eles misturam Smashing Pumpkins e Chico Buarque. Quer melhor que isso? O problema é que não achei nenhum link no youtube com a versão dos caras para Partido Alto. Então ai vai o link de Cuidado, apenas para que vocês possam sacar a qualidade musical dos moços.
#05 - Kevin Paris – Sunrise Song
Pensa você acampando com seus amigos e de repente você escuta essa voz sensacional e um violão incrível na barraca do lado. Foi assim que conheci o queridíssimo Kevin Paris (ou americano viado para os íntimos). As músicas do Kevin me lembram o carnaval incrível que passei esse ano na Ilha do Mel. Me lembra nossa favelinha e os meninos de Pederneiras. E como não tem nada melhor que lembrar de bons momentos e bons amigos, Kevin ganha meu quinto lugar de 2011.
E quem quiser conhecer mais o som, clique aqui.
#04 - Se eu soubesse – Chico Buarque
Como eu disse antes, 2011 foi um ano com shows sensacionais. E ver o Chico Buarque no Teatro Guaíra entra para esta categoria. Letras lindas, músicos excepcionais e olhos azuis encantadores. Chico sempre vai merecer estar em qualquer top 10 que diz respeito a músicas, depois de vê-lo ao vivo então...
#03 - Jeremy – Pearl Jam
Eddie Vedder, casa comigo? Foi o que eu pensei depois que fui embora do show do Pearl Jam. Com seu carisma absoluto, Eddie Veder e sua banda foram responsáveis pelo segundo show mais lindo que vi esse ano. Perdendo apenas para o Paul, por razões lógicas. Me diz, quem não se emocionaria vendo o Pearl Jam tocando Jeremy ao vivo!
#02 - Arlandria – Foo Fighters
Não quero ser repetitiva e dizer o quando amo o Foo Fighters. Para mim está aí uma das bandas mais geniais da atualidade. E o que dizer então do álbum “Wasting Light”. Simplesmente fodão. Mais legal ainda foi ver o “Back and Forth” (documentário sobre a banda) e saber que o CD foi gravado inteiro de maneira analógica na casa do meu amado Dave Grohl. Escolho “Arlandria” como minha segunda música favorita de 2011 por uma parte da que o Dave canta em tom de sussurro. Acho muito bom. Mas juro que o CD todo tem músicas dignas de estar aqui. Para quem não ouviu, super recomendo o álbum todo e o documentário. É muito amor pelo Foo Fighters!
#01 - Black Bird – Paul Maccartney
Só existe uma coisa que pode superar meu amor por Foo Fighters: ver um Beatle ao vivo. Não preciso explicar o porquê, né? Só sei que ver o vozinho Paul Maccartney tocando por duas horas foi algo indescritível. E chorei quando ele tocou “Black Bird”. O show teve vários momentos memoráveis, mas “Black Bird” sempre me emociona. É linda! Por isso, o avô que eu queria ter, ganha meu coração e o primeiro lugar do meu top 10 de músicas de 2011.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
Bem vindo, 2012
É, começou outro ano. E uma das minhas metas para 2012 é escrever mais. Então cá estou.
Acho que é normal nesta época fazermos um balanço sobre o que foram estes 365 dias que acabaram de passar. Confesso que não foi um ano fácil.
Senti dores, não inéditas, mas dor é sempre dor.
Doeu a topada do dedão no canto da cama, doeram as cenas de cretinice masculina, doeram os não recebidos e doeu muito o reconhecimento de algumas fraquezas.
Mas, puta que pariu, como aprendi.
Aprendi, mais uma vez, que dor de amor sempre passa. Aprendi que frieza e hipocrisia afastam pessoas. E aprendi que não se pode ser bom em tudo o que queremos.
E sabe que entro em 2012 com uma sensação de serenidade e segurança que não sentia a tempos. Como se esse ano viesse como um presente. Um presente igualzinho àquele céu estrelado que vi nas primeiras horas do primeiro dia de 2012. Um presente simples, que se ganha sempre, mas que fica mais perfeito a cada tempo que passa.
Sem ansiedade e sem grandes ambições, me jogo nesse ano com vontade de viver o que vier. E só não prometo que não vou topar o dedão de volta no canto da cama, de resto, os aprendizados e as dores valeram alguma coisa.
Seja bem vindo, 2012.
Acho que é normal nesta época fazermos um balanço sobre o que foram estes 365 dias que acabaram de passar. Confesso que não foi um ano fácil.
Senti dores, não inéditas, mas dor é sempre dor.
Doeu a topada do dedão no canto da cama, doeram as cenas de cretinice masculina, doeram os não recebidos e doeu muito o reconhecimento de algumas fraquezas.
Mas, puta que pariu, como aprendi.
Aprendi, mais uma vez, que dor de amor sempre passa. Aprendi que frieza e hipocrisia afastam pessoas. E aprendi que não se pode ser bom em tudo o que queremos.
E sabe que entro em 2012 com uma sensação de serenidade e segurança que não sentia a tempos. Como se esse ano viesse como um presente. Um presente igualzinho àquele céu estrelado que vi nas primeiras horas do primeiro dia de 2012. Um presente simples, que se ganha sempre, mas que fica mais perfeito a cada tempo que passa.
Sem ansiedade e sem grandes ambições, me jogo nesse ano com vontade de viver o que vier. E só não prometo que não vou topar o dedão de volta no canto da cama, de resto, os aprendizados e as dores valeram alguma coisa.
Seja bem vindo, 2012.
quinta-feira, 29 de setembro de 2011
Rehab
João era um assassino em recuperação. Sempre fora muito competente em seus assassinatos, por isso ninguém nunca soube. Porém ultimamente estava se tratando. Terapia e tudo mais.
Decidiu largar seus vícios.
Como o lema do AA e do NA, ele repetia toda manhã - Só por hoje.
João começou a levar o trabalho a sério.
Conseguia não mais pensar no quanto o pescoço da tia do café sangraria caso um dia ele resolvesse... (Ela tinha um pescoço gordo com uma veia enorme que saltava aos olhos do João)
Até suportava a voz da secretária do seu chefe sem fantasiar em cortar suas cordas vocais antes de...
E inclusive aguentava seu colega se gabando sobre suas conquistas da noite anterior sem pensar em...
Respirava fundo e pensava - Só por hoje!
Chegou a ser promovido.
Quase se esqueceu da sua compulsão por sangue.
E até noivo ficou.
Porém...
A noiva reclamou de uma ligação que João não retornou.
A secretária do chefe e sua voz irritante lembrou de uma reunião que João estava atrasado.
A tia do café fez um café fraco – Nada pior que café fraco – pensou João.
Seu colega, agora seu funcionário, fez algum comentário babaca sobre alguma garota gostosa do escritório.
Ainda assim João respirou fundo e pensou - Só por hoje!
Chegando no seu apartamento, por volta das 19h30, após trânsito curitibano das 18h30, João escuta um barulho parecendo um tiro.
Vira e esgana o primeiro pescoço que encontra pela frente.
Era o filho do vizinho que havia estourado um saco de pão para assustar o João.
João respirou fundo, arquitetou a desova do corpo, se livrou das roupas que usava, lavou as mãos e então parou para pensar - Tudo bem, eu nunca gostei de crianças mesmo...
E então recomeçou sua rehab com o seu diário - Só por hoje.
*Texto inspirado em figuras estranhas nos ônibus desta Curitiba
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Mudanças

Há algum tempo, toda paixão que aparecia na minha vida, ou melhor, que acabava, era toda uma dor, todo um sofrimento e toda uma semana num misto de raiva e tristeza até as coisas amenizarem.
Era uma semana de dor mais um ou dois meses de adaptação. Era quase como uma mudança de casa. Como se mudar um sentimento, fazer cabe-lo de uma outra forma dentro de mim, demandasse a mudança real de uma casa. Fazer caber em um espaço novo. Num pedacinho bem menor no peito. Uma mudança de um tríplex para uma kitinet.
Acho hoje que era muito sofrimento e muita adaptação talvez para sentimentos que no fundo eu sempre soube que não durariam. Mas fazer o que, se intensidade sempre foi algo bem Janaina Galvão.
Mas posso ser honesta?
Não quero mais céu ou inferno de uma paixão.
Quero mesmo é andar com os pés no chão. De mão dada com alguém que entenda quem é maluca que vai querer fugir feito louca quando as borboletas tomarem conta do meu estômago inteiro. Que vai me olhar e dizer: “Janaina, para de pirar em terminar o que a gente tem sabe-se lá por que motivo e escolhe logo o que você quer jantar! Quer vinho?”. Que me traga pro chão sempre que eu precisar.
Que entenda minha vontade de ir ao cinema sozinha. Que me de um ombro quando alguma coisa der errado e que me faça rir. Rir é importante. Que nossa conversa dure horas e que me faça ter orgulho de tê-lo na minha vida.
E que me permita, de verdade, não ter que mudar de casa quando tudo acabar.
Mas que me deixe só tirar um quadro da parede.
terça-feira, 3 de maio de 2011
Era outono, quase inverno
Era outono, quase inverno.
De repente ela estava lá, com o carro parado na beira da praia. Alguns anos antes era freqüente o carro parado na beira da praia. Seus irmãos costumavam ir surfar. Os seus pais ficavam observando os dois no mar e ela costumava sentar na pedra, olhar pro nada.
Mas hoje ela estava sozinha. Ela descalça na areia fria, a praia vazia e o mar logo em frente. O sapato de salto que usara durante a noite ficara no carro. Usava um casaco preto por cima de um vestido florido tomara que caia.
Ela quis sentir aquela brisa fria que só existe na beira do mar em dias de outono, quase inverno. Aquela brisa que acaricia a pele e embaraça os cabelos. Queria pisar no chão frio, sentir a areia entre os dedos.
O cheiro do mar no frio é outro. É diferente do verão. No verão vem um cheiro de gente, protetor solar, criança. Já no frio, outono quase inverno, é um cheiro só de mar. Fresco e salgado.
E depois de uma noite cheia de gente, tudo o que ela queria era esse cheiro fresco de liberdade. Solidão. Engana-se aquele que pensa que a solidão é ruim. “Solidão só é ruim para quem não sabe apreciá-la”, pensou.
Sentou ali de frente pro mar. Maquiagem já borrada, uma lata de cerveja já meio quente na mão e o dia começando a nascer.
Tomou seus últimos goles de cerveja, andou até a beira do mar, molhou os pés e respirou bem fundo. E por um instante ela desejou dividir esse momento com alguém. Sentiu-se estranha. Pela primeira vez em anos, sentiu-se sozinha.
Virou as costas entrou no carro e foi embora.
De repente ela estava lá, com o carro parado na beira da praia. Alguns anos antes era freqüente o carro parado na beira da praia. Seus irmãos costumavam ir surfar. Os seus pais ficavam observando os dois no mar e ela costumava sentar na pedra, olhar pro nada.
Mas hoje ela estava sozinha. Ela descalça na areia fria, a praia vazia e o mar logo em frente. O sapato de salto que usara durante a noite ficara no carro. Usava um casaco preto por cima de um vestido florido tomara que caia.
Ela quis sentir aquela brisa fria que só existe na beira do mar em dias de outono, quase inverno. Aquela brisa que acaricia a pele e embaraça os cabelos. Queria pisar no chão frio, sentir a areia entre os dedos.
O cheiro do mar no frio é outro. É diferente do verão. No verão vem um cheiro de gente, protetor solar, criança. Já no frio, outono quase inverno, é um cheiro só de mar. Fresco e salgado.
E depois de uma noite cheia de gente, tudo o que ela queria era esse cheiro fresco de liberdade. Solidão. Engana-se aquele que pensa que a solidão é ruim. “Solidão só é ruim para quem não sabe apreciá-la”, pensou.
Sentou ali de frente pro mar. Maquiagem já borrada, uma lata de cerveja já meio quente na mão e o dia começando a nascer.
Tomou seus últimos goles de cerveja, andou até a beira do mar, molhou os pés e respirou bem fundo. E por um instante ela desejou dividir esse momento com alguém. Sentiu-se estranha. Pela primeira vez em anos, sentiu-se sozinha.
Virou as costas entrou no carro e foi embora.
domingo, 3 de abril de 2011
Recomendações
O médico a examina, faz cara feia, torce o nariz e aponta para a cadeira. Ela coloca o sapato e senta de frente para o médico de cara severa.
- Acho importante você se preocupar menos. Está ficando complicado.
- Mas Doutor, não aprendi a não me preocupar.
- Mas então está na hora de começar mocinha. Nunca é tarde...
- Ok... alguma dica de como começar?
- Tenho uma lista delas!
Ela abre a bolsa, tira um caderno listrado, fechado com um elástico vermelho. Junto vem uma caneta vermelha, do escritório onde ela trabalha.
- Tenho caneta e papel...
- Um bom livro pode ser um começo. Uma viagem para qualquer lugar.
- Isso eu já faço doutor... Viajar, ler...
- Mas não é só viajar e ler. É viajar e ler prestando atenção apenas àquilo. Você pode tentar da próxima vez. Abster-se!
- Tá bom Doutor... Mais alguma dica, caso isso não funcionem?
- Um filme também pode ser bom. Até mesmo, sofá, televisão, pipoca e coberta.
- Gosto de filmes, tv, sofá e pipoca...- o sorriso de esperança some e ela pergunta - Mas se faltar tempo Doutor?
- Tempo tem que arrumar mocinha. Trabalho ou saúde?
- É... você tem razão. Mas ainda assim... Isso é difícil Doutor... Não há nenhum botão “desligar”? Uma alavanca de “preocupações off”?
- Uma mulher de 20 e poucos anos não deve ter tanto com o que se preocupar.
- Ah... sabe que tem, viu? Não tem mesmo um botãozinho?
- Não... Mas você pode tentar os amigos, eles sempre sabem nos ajudar a abster das preocupações.
- (Suspiro) Ok... Mais alguma recomendação?
- Despreocupar-se mocinha... Despreocupar-se! Sua vida não aguenta tanto stress, entendeu? Ou você quer chegar aos 30 com cara de 40?
- Entendi! 30 com cara de 40 ninguém merece!!! Na marra eu aprendo, ok?
Ela sorri um sorriso meio amarelo, meio pensativo e levanta. O médico a acompanha até a saída do consultório, abre a porta e fala bem baixinho:
- E se nada adiantar, uma boa garrafa de vinho deve resolver.
- Acho importante você se preocupar menos. Está ficando complicado.
- Mas Doutor, não aprendi a não me preocupar.
- Mas então está na hora de começar mocinha. Nunca é tarde...
- Ok... alguma dica de como começar?
- Tenho uma lista delas!
Ela abre a bolsa, tira um caderno listrado, fechado com um elástico vermelho. Junto vem uma caneta vermelha, do escritório onde ela trabalha.
- Tenho caneta e papel...
- Um bom livro pode ser um começo. Uma viagem para qualquer lugar.
- Isso eu já faço doutor... Viajar, ler...
- Mas não é só viajar e ler. É viajar e ler prestando atenção apenas àquilo. Você pode tentar da próxima vez. Abster-se!
- Tá bom Doutor... Mais alguma dica, caso isso não funcionem?
- Um filme também pode ser bom. Até mesmo, sofá, televisão, pipoca e coberta.
- Gosto de filmes, tv, sofá e pipoca...- o sorriso de esperança some e ela pergunta - Mas se faltar tempo Doutor?
- Tempo tem que arrumar mocinha. Trabalho ou saúde?
- É... você tem razão. Mas ainda assim... Isso é difícil Doutor... Não há nenhum botão “desligar”? Uma alavanca de “preocupações off”?
- Uma mulher de 20 e poucos anos não deve ter tanto com o que se preocupar.
- Ah... sabe que tem, viu? Não tem mesmo um botãozinho?
- Não... Mas você pode tentar os amigos, eles sempre sabem nos ajudar a abster das preocupações.
- (Suspiro) Ok... Mais alguma recomendação?
- Despreocupar-se mocinha... Despreocupar-se! Sua vida não aguenta tanto stress, entendeu? Ou você quer chegar aos 30 com cara de 40?
- Entendi! 30 com cara de 40 ninguém merece!!! Na marra eu aprendo, ok?
Ela sorri um sorriso meio amarelo, meio pensativo e levanta. O médico a acompanha até a saída do consultório, abre a porta e fala bem baixinho:
- E se nada adiantar, uma boa garrafa de vinho deve resolver.
segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011
Luto
Solto minha mão ao lado da cama e procuro o óculos de grau deixado ali antes de dormir. Sento na cama, sinto o frio da madeira nos meus pés. Cabeça lateja pelas cervejas da noite anterior. Olhos inchados, maquiagem borrada e cabelo desarrumado. Ando até o banheiro. O chão é agora mais frio, é a cerâmica. Ligo o chuveiro e, enquanto a água esquenta, me olho no espelho.
Vi o vestido jogado cesto de roupa suja. Usei meu vestido de renda. Achei que causaria boa impressão. E um salto, pois sempre nos deixa mais confiantes. Lembrei que bebi Original. Vi um resquício de batom vermelho nos lábios. O cinto preto que usei para marcar a cintura estava logo ao lado do sapato, ambos jogados no chão. Olhei para minhas mãos e o esmalte estava descascado. Senti um aperto no peito.
Entrei no chuveiro e quando me dei conta estava aos prantos. Era um choro de luto. Sensação de que enterrei alguma coisa importante. Uma dor na boca do estômago. Uma dor que me fez sentar embaixo do chuveiro deixar as gotas caírem por todas as minhas costas. Lavar toda angustia que sentia. Estava de luto e isso doía.
Lembro então que matei o que quis quando passei porta a fora do bar. Desliguei o celular e fui pra casa. Estado de choque. Deve ser comum quando alguma coisa morre. Morreu a esperança que você percebesse que podia dar certo. Enterrei a idéia. Matei a vontade de tentar, a tiros. Sufoquei o gostar e afoguei o tesão.
Senti raiva. E então levantei do chão, lavei meu corpo, meu cabelo, lavei meu rosto com força para tirar toda a maquiagem. Parei de chorar.
Sai, me enxuguei, coloquei minha lente de contato, escovei os dentes, passei protetor solar no rosto, penteei o cabelo, vesti um shorts e uma camiseta e fiquei com uma única certeza: a dor passa e as chances que o tempo dá também. Eu aproveitarei as minhas. E você?
Vi o vestido jogado cesto de roupa suja. Usei meu vestido de renda. Achei que causaria boa impressão. E um salto, pois sempre nos deixa mais confiantes. Lembrei que bebi Original. Vi um resquício de batom vermelho nos lábios. O cinto preto que usei para marcar a cintura estava logo ao lado do sapato, ambos jogados no chão. Olhei para minhas mãos e o esmalte estava descascado. Senti um aperto no peito.
Entrei no chuveiro e quando me dei conta estava aos prantos. Era um choro de luto. Sensação de que enterrei alguma coisa importante. Uma dor na boca do estômago. Uma dor que me fez sentar embaixo do chuveiro deixar as gotas caírem por todas as minhas costas. Lavar toda angustia que sentia. Estava de luto e isso doía.
Lembro então que matei o que quis quando passei porta a fora do bar. Desliguei o celular e fui pra casa. Estado de choque. Deve ser comum quando alguma coisa morre. Morreu a esperança que você percebesse que podia dar certo. Enterrei a idéia. Matei a vontade de tentar, a tiros. Sufoquei o gostar e afoguei o tesão.
Senti raiva. E então levantei do chão, lavei meu corpo, meu cabelo, lavei meu rosto com força para tirar toda a maquiagem. Parei de chorar.
Sai, me enxuguei, coloquei minha lente de contato, escovei os dentes, passei protetor solar no rosto, penteei o cabelo, vesti um shorts e uma camiseta e fiquei com uma única certeza: a dor passa e as chances que o tempo dá também. Eu aproveitarei as minhas. E você?
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