sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Um amor à distância

Nunca tinha vivido um amor à distância. Achei na verdade que nunca conseguiria. Sempre acreditei que a distância física torna as coisas mornas e distantes de verdade. Que, com o tempo, o assunto termina, as ligações rareiam e os encontros mais ainda.

Porém, conto que estou sendo obrigada a rever todos os meus conceitos definidos há algum tempo. Um amor foi parar a 6 horas de distância. Ok. Convenhamos que nem é tão longe assim, porém impossibilitou o cinema depois do trabalho, a cerveja da sexta-feira e o café em uma tarde a toa.

Antes as comemorações das conquistas eram no bar onde a cerveja estivesse mais gelada, hoje são por telefone. Os problemas são divididos por e-mail e não mais em uma tarde no gramado do museu. As visitas ao flat na cidade que nunca para acontecem sempre que há oportunidade e o bolso permite. E as noites de Empório São Francisco são aproveitadas sempre que conseguimos aquela brecha!


Mas o importante é contar que o tamanho do amor continua igualzinho! Amor por essa menina que me disse uma vez eu fazia falta na vida dela, mas ela não sabia. Que um dia me mostrou o quão importante é ter uma amiga que chega quase a ser irmã. Que é tão cúmplice que em um só olhar as coisas ficam claras.


Essa menina que tem o dia hoje só dela! Por isso esse texto. Para que eu possa desejar do meu jeito um feliz aniversário!

Parabéns Gabi! Obrigada por ter você na minha vida!

terça-feira, 27 de julho de 2010

Sobre liberdade


Há algum tempo me lancei em uma aventura em busca de autoconhecimento. Uma aventura sem volta. Uma busca por gostos, cheiros, texturas, sons, textos, cores, tudo o que fosse do meu agrado. Uma experiência envolvendo pessoas, lugares. Me tornei uma espécie de cientista da vida. Criei uma premissa para todos os experimentos, fazer tudo o que tivesse vontade. Me senti livre para ousar. Aceitei uma liberdade nova, onde julgamentos não faziam parte e muito menos compromissos.

Descobri que só gosto de usar salto quando é para causar alguma impressão. Descobri que vermelho é definitivamente minha cor predileta. Descobri que boca é o que eu mais gosto nos homens. Descobri que inteligência é muito sexy (se acrescentar um pouco de mistério então, nem se fala). Descobri que gosto de um bom vinho e de cervejas fortes. Descobri uma intensidade muito minha. Descobri ainda que por mais que eu goste muito de MPB, o clássico rock’n roll sempre terá mais espaço em meu coração.

Por falar em coração, é engraçado como um coração recém-liberto se comporta. Desde me declarei livre, acabei encontrando um espaço vazio nesse pedacinho do corpo da gente que dizem que comanda os amores. Descobri que tenho um certo prazer masoquista em paixões platônicas. Explico: digo masoquista, pois estas paixões são as que mais incomodam, doem e nos fazer criar ilusões que parecem reais de mais. Mas também descobri o valor real daqueles amigos que não nos deixam na mão nunca. Nem que seja para sentar do lado e não falar nada.

Foram três anos para encontrar meus gostos, meus cheiros, minhas texturas, meus sons e tudo mais que elegi como meus favoritos. E hoje atingi uma liberdade completamente diferente da que me impus em um passado recente. Me encontro neste instante livre de verdade. Livre de vícios e vínculos do passado. Livre da procura intensa por quem eu sou, dependente apenas de uma intensificação do que já aprendi sobre mim mesma. Livre de verdade de conceitos antigos e, mais importante que tudo, livre para encarar o que há por vir.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Mudança

- É você...
- Sim... desculpa, vim buscar aquele quadro roxo que você pintou pra mim.
- Ah sim... Está ali em cima do sofá. Amanhã eu me mudo.
- Você não ia me falar nada?
- Não, melhor assim.
- Bem, se você acha.
- Ia mandar pelo correio algumas coisas que ficaram. Sem remetente.
- Você não vai me dizer pra onde vai?
- Não. Quer plástico bolha para embalar o quadro?
- Acho que é melhor.
- Tá ali no canto. Aproveita e pega a caixa que tem seu nome em cima. Pode levar.
- Você ia se desfazer de tudo isso?
- Não. Já falei que ia mandar o correio entregar.
- O quadro não...
- O quadro não.
- O que você ia fazer?
- Mandar pra galeria. Quem sabe alguém iria querer. Entenderia.
- O quadro é meu. Você não tem esse direito.
- Achei que você não o queria mais. Tem bolo de laranja na cozinha... caso você queira levar um pedaço.
- Obrigado.
- Escuta... vou apagar seu telefone e seu e-mail...
- Não adianta nada! Você não vai esquecer de qualquer forma.
- Vai saber! Quem sabe se eu mentalizar bem forte antes de dormir minha memória apague...
- Mas por quê?
- Porque sim...
- Não dá pra entender...
- Dá sim... eu só não quero mais te achar.
- Mas por quê?
- Porque você me acha, se você quiser...

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Texto escrito em novembro de 2009

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Sobre raiva e intensidade

Falar sobre o que sinto nunca foi meu forte. Desde criança, quando alguma coisa me incomodava, eu fechava a porta do quarto, deixava o som alto e tentava resolver os problemas por minha conta.

Depois de um tempo, lá pelos 14 anos, comecei a escrever. As palavras se tornaram o melhor ombro amigo para as horas de tristeza, raiva ou confusão. Talvez seja porque sempre detestei que quem quer que fosse me visse triste ou sequer derramar uma lágrima. Um orgulho besta, mas que cultivo.

Dia desses, exercitando meu hábito de ir ao cinema sozinha, com tanta coisa no peito necessitando ser escrita, rabiscada e lida, precisei passar na livraria e comprar um caderno. A sala vazia e escura do cinema se tornou uma espécie de confessionário. Precisava contar, só para quem quisesse ouvir, que menti.

Menti quando disse que perdi minha intensidade. Continuo a mesma idiota impulsiva. Que raiva me dá descobrir que só obedeço à razão em pouquíssimos casos. Pior ainda é ter certeza do quanto incomoda gostar de alguém. E mais uma vez eu sinto raiva por saber que hoje é necessário – mais uma vez – deixar de gostar.

Quis gritar pro mundo que te quis muito e hoje quero gritar pro mundo que tenho raiva. Raiva de mim mesma por mais uma vez ter sido intensa de mais, por mais uma vez ter me deixado levar, por mais uma vez ter feito tudo que quis... E a raiva me faz enxergar que a intensidade sempre esteve aqui, pronta para pular para o mundo mais uma vez.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Luz antiga

Eu só queria que você cuidasse
um pouco mais de mim
como eu cuido de você
cuidar é simplesmente
olhar pro mundo que você não vê
Pra medir o amor não existe cálculo
1+1 pode não ser 2
Futuro é linda paisagem
desejo que não é sonho é mera ilusão
Se não sabe
se afasta de mim
mas se ainda cabe
me abrace, enfim
Só ligue se tiver vontade
só venha se quiser me ver
Mentir é pura vaidade
de quem precisa se esconder
Será que eu vejo apenas o que você não vê?
eu não entendo como você não consegue perceber?
que eu não sei mais,
eu não sei mais, eu não sei
O sangue é o rio que irriga a carne
e a alma é a terra de um morro
é luz antiga o fim da tarde
dessa saudade sem socorro
Se não sabe
se afaste de mim
mas antes que seja tarde
nos salve do fim

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Nando Reis

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Enlouqueci

Confesso que enlouqueci. De repente me tornei uma daquelas pessoas inseguras, que não sabe muito bem o que fazer dos próximos dias, meses e anos. Uma pessoa que a cada dia parece ter uma personalidade distinta e cada uma com seus conflitos distintos.

Me encontro em alguns momentos como uma menina de 15 anos que começa a descobrir a vida e de repente descobre o que é gostar de alguém. Que sente medo de dizer tudo o que pensa e quer mais que tudo se jogar em tudo o que há por vir. Outros momentos pareço com uma mulher de 50 anos que, de tanto viver e se apaixonar, morre de medo de se machucar mais uma vez. E às vezes me encontro como a mulher de 23 anos que sente a saudade daquele ombro amigo para derramar todos os conflitos, beber todas as cervejas e dançar até o pé doer.

Toda essa insanidade misturada aos conflitos (que são capazes de conflitar entre eles mesmos) tem uma razão. Há uma vontade de gritar pro mundo que eu estou diferente, de dizer para quem quiser ouvir que eu abrandei minha intensidade, me tornei mais racional. Que não sei mais agir como se existisse uma bomba relógio no lugar de um coração. Mas por ter mudado, não consigo mais gritar por aí.

Talvez insana eu fosse antes e este momento de loucura seja apenas uma fase de adaptação de uma nova pessoa. Ou talvez eu tenha me perdido em algum momento entre as coisas que ficaram por dizer e àquelas que eu disse. E confesso que hoje não há mais coragem de dizer tudo o que está na garganta. E até retornar à sanidade (ou àquela insanidade anterior) eu guardo meus sentimentos em algum lugar entre o peito e a boca, esperando, quem sabe, a hora certa de dizer.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Sobre os domingos

Domingo é o dia em que a inércia parece ser mais forte que qualquer outra coisa. Dia em que o sofá e aquela coberta são tão atraentes quanto a bacia de pipoca, o filme no DVD ou o livro a ser terminado. Dia em que a preguiça impera e que nos faz lembrar que em seguida vem a segunda-feira. O fim de semana acaba e tudo começará outra vez quando abrirmos os olhos na manhã seguinte.

Domingo é o dia em que algumas famílias se reúnem e pedem uma pizza naquele restaurante do bairro. A avó e seu tricô no sofá, a criança correndo pela casa e os irmãos conversando sobre o fim de semana. Às vezes um vinho, outras uma cerveja.

Domingo também é o dia em que os solteiros acabam se obrigando a sair de casa. Pois é um daqueles dias que a solidão aparece e cutuca de leve. E, por essa história da solidão gostar de aparecer nos domingos, é que alguns solteiros se deixam levar por boas companhias. E na onda de se deixar levar pelas boas companhias é que os solteiros deixam de ser solteiros.


Domingo dá preguiça, domingo engorda, domingo anima, domingo aproxima e domingo apaixona.


Definitivamente, hoje eu gosto de domingos!